Chronos do Tempo

O mundo dos relógios e jóias
Carlos Góis e o sonho chamado Carlton Jewellery
30/Mar/2017
Carlos Góis, CEO da Carlton Jewellery

Entre o ouro e os diamantes, o romantismo da natureza e a sofisticação urbana, assim são as jóias de Carlos Góis. O jovem joalheiro conversou com a Chronos e falou das suas inspirações e aspirações. Basileia e internacional a sua marca estão no horizonte. 


Licenciado em Economia, talvez se tenha perdido um economista de sucesso, mas ganhou-se um joalheiro apaixonado pela arte. Licenciado em Economia, Carlos Góis tem 32 anos, mas desde os 16 que deseja ter uma marca própria de jóias. O sonho tornou-se realidade há seis meses, quando o mercado viu nascer a Carlton Jewellery.


 


A Carlton Jewellery é recente. Mas a joalharia é uma paixão antiga…


É uma paixão que vem de há muito tempo. Os meus pais têm uma loja em Coimbra. Eu desde miúdo que estou inserido no meio. E ao longo do meu crescimento houve sempre uma ligação muito forte entre estes dois universos o pessoal e o do negócio dos meus pais. E com os anos, é óbvio que o gosto vai e foi-se apurando…


… até chegar à Carlton Jewellery…


Sim, é um projecto desde tenra idade que surge com a ambição de poder criar uma marca de jóias própria, onde realmente pudesse apresentar a minha abordagem da joalharia ao mundo, onde procuro acrescentar a este mundo aquilo que é a minha visão da joalharia.


Assume-se como um joalheiro. Em termos práticos é um artesão?


Não executo as peças. Idealizo-as! Tenho uma pessoa que trabalha comigo. Transmito os meus projectos à designer e ela vai apresentando propostas. É um trabalho de marca, baseado na minha visão da joalharia que transmito a quem executa.


Quais são as inspirações da marca?


Procuro dois caminhos, essencialmente: o primeiro muito ligado ao mundo da natureza e um outro mais artístico-urbano. Ou seja, há duas colecções: a Leaf Collection e a Lisbon Collection, uma referência a Portugal, uma homenagem a Lisboa.  E tudo porque se por um lado temos uma mulher cosmopolita, urbana, por outro lado tenho a visão romântica e poética da vida e do mundo.


Como é o processo de criação?


Faço as peças em função a quem se dirige e não ao contrário. Eu imagino quem possa usar as minhas jóias, visualizo a pessoa e depois desenvolvo a peça.


Mas as peças são exclusivas, personalizadas?


As peças são standard, o que não invalida que sejam passíveis de personalizar. Não impede, mas o foco não é esse. Fazemos peças standardizadas, mas há espaço para produzirmos peças exclusivas.


Com que matéria-prima são trabalhadas as suas jóias?


Sobretudo ouro e diamantes. O ouro por tudo aquilo que representa, mas há abertura para trabalhar outros materiais. De qualquer forma, elegemos ouro e diamantes. O ouro branco é o clássico e extraordinário pelo requinte, o ouro amarelo é a cor natural do ouro, o rosa transmite muita paixão e emoção.


Sendo os diamantes os melhores amigos das mulheres, deduzo que a marca seja essencialmente feminina…


Sim, os diamantes são os melhores amigos das mulheres (risos), daí esta ligação. É um cariz feminino. A nossa marca tem um carácter feminino. As minhas joias são para todas as mulheres. Daí ter duas colecções: uma a pensar na mulher urbana, liberal, cosmopolita, mas também na mulher sedutora, romântica e com uma visão mais poética do mundo e da vida. São peças que desde a criação à execução têm como objetivo torná-las o mais confortável possíveis, ao ponto de serem usadas todos os dias, no quotidiano. Não procuramos fazer peças só para as festas. As coisas são feitas para serem usadas e as jóias não são excepção. Temos esse cuidado. Conseguimos criar peças muito confortáveis, que possam ser usadas no trabalho ou ao fim-de-semana, mas ao mesmo tempo num ambiente mais requintado.


Falamos de versatilidade, portanto…


Sim, sim! É essa preocupação que temos de tornar as peças no conforto e no sentido estético. Mas são peças que se enquadram facilmente num vestido de gala ou numa cerimónia ou como num ambiente descontraído de trabalho, por exemplo. Procuro a universalidade.


Entre pulseiras colares, anéis, se tivesse de escolher um. Que peça de joalharia elegia?


É difícil escolher uma. Por um lado, temos um anel que acaba por ser, se calhar, a peça mais pessoal, mais humana. É talvez aquela que acompanha sempre a pessoas: trabalhamos com as mãos… É a peça que acaba por acompanhar todos os momentos altos da vida: seja a cozinhar, seja a escrever, seja a ler. Usamos as mãos para fazer tudo e é uma peça que acaba por mostrar a personalidade de cada um. Por outro, considero os colares e as gargantilhas especiais pela subtileza e elegância naturais. Mas os anéis são efectivamente as minhas peças com maior relevo.  


Há alguma jóia que seja incapaz de vender?


Há peças que são imaginadas e ainda não viram a luz do dia. Mas tudo o que existe é para ser vendido, não há projetos que não tenham esse fim.


Alguma vez ponderou desistir?


Não nunca. Há momentos bons e momentos menos bons como em tudo na vida, no casamento, por exemplo, na relação pais filhos, escolar, profissional. Mas sinceramente não me vejo a fazer outra coisa que não seja relacionada com a joalharia. É aqui que me sinto como peixe na água. Houve muitas vezes que tive de parar, voltar atrás e reequacionar, mas desistir nunca. A certa altura seguimos o caminho e a meio dele percebemos que não é bem por ali e acabamos por voltar atras para seguir outro atalho e começar de novo virar a direita em vez de esquerda, por exemplo. Desistir não existe para mim.


Se não fosse joalheiro, o que seria?


Todas as crianças sonham ser bombeiro. Tudo é fascinante (risos), mas se não fosse joalheiro onde me via? Por exemplo, gosto muito de carros, de automobilismo, mas não sei… gosto de fazer muitas outras coisas como hobbies. Mas tenho a sorte de poder fazer tudo o que imaginei e com que sempre sonhei.


Já que estamos a falar de sonhos… Qual é o seu maior sonho profissional?


É o reconhecimento internacional da marca. É ter uma abordagem e imagem internacional. O objetivo passa por ir a outros mercados além de Portugal:  não só o mercado local, mas também Espanha, Estados Unidos, China, Rússia, América do Sul, África.


Há algum mercado que gostasse de investir especialmente?


De início, todos os mercados são especiais, é difícil estar a dizer este mais do que aquele ou outro. Mas posso enumerar três/ quatro mercados: o italiano e o francês que são referencias ao nível da criação, o berço e o centro da joalharia no mundo, o mercado norte-americano pela sua dimensão, criatividade, espectacularidade e do ponto de vista do consumo, e o sul americano, pelo qual sempre senti uma proximidade muito grande, onde houve sempre um fascínio em termos pessoais.


Nesse sentido, marcar presença nos salões é um passo a dar?


Vou a salões desde os meus 16 anos. Tenho 32… Uma vez por ano vou, não como expositor, mas isso está para breve. Mas também visito feiras. Tudo o que foi e é desenvolvido em termos da marca é fruto dessa experiência e presença assídua e acompanhamento do mercado do trabalho dos meus pais. E com o que tudo isso acarreta a nível do espírito e da estratégia da marca.


A estreia como expositor está para breve. Em que salão gostava que acontecesse?


Não sei se será para 2017, mas espero que sim, que seja para o ano que consiga começar a marcar presença. Não conheço todos os salões, mas Basileia acaba por ser a Meca do sector a nível internacional. Basileia é a grande ambição a esse nível!


Como seria o Mundo sem jóias?


Seria um mundo muito triste. As jóias acrescentam um toque pessoal: são talvez das peças mais pessoais que alguém pode usar. Não consigo imaginar o mundo sem jóias. De todo! É inconcebível… Não haveria magia. Há todo um mundo encantado na joalharia, como os contos de fada que pressupõem anéis de noivado… O mundo sem jóias seria impossível.


 


Áurea é a cara da marca!


 


Quando lhe perguntamos “quem gostaria de ver usar a suas jóias”, Carlos Góis não hesita e avança com dois nomes feminino: a portuguesa Áurea e a ficcional e americana Carrie Bradshaw de Sexo e a Cidade. “Acabam por o ser o espelho das nossas duas colecções. A primeira é uma jovem cantora, tal como a marca que é recente, mas está a fazer sucesso no mundo difícil da música, à semelhança do que queremos fazer no mundo difícil da joalharia. Além do mais, a Áurea está associada à poesia, pelo que combina com a Leaf Collection. Em termos internacionais vejo numa atitude cosmopolita, a Carrie Bradshaw, uma figura em que a Lisbon Collectio encaixa muito bem”, explica o joalheiro.


 


A origem de uma marca


O nascimento da marca Carlton Jewellery é simples: “Carlton é um derivado em inglês do meu nome Carlos”, refere o joalheiro que esclarece a escolha “com a questão da internacionalização” de um nome, de uma marca.


Segredos de um joalheiro…Que idade tem?32 anosÉ natural de Coimbra…Não! Venezuela, Caracas.O Carlos usa jóias?Não, a única jóia que uso é o meu relógio todos os dias. Não quer dizer que não haja ou que não seja da minha criação, mas não uso, porque ainda não encontrei. Não uso porque não encontrei A jóia.Qual é o seu maior defeito?Não sei se será defeito, mas a teimosia. Ou melhor a perseverança e visto dessa forma é também se calhar a minha maior virtude.Tem uma viagem de sonho?Sim: uma expedição à América do Sul sem data de regressoQue outras paixões tem além da joalharia?Além dos automóveis, há outra que até um pouco doença: a Académica. Sou de Coimbra e aprendi a ver futebol naquela cidade. É um misto de paixão e de doença. Vou ver jogos em casa e fora (risos).


A nova colecção Carlton Jewellery
A nova colecção Carlton Jewellery
A nova colecção Carlton Jewellery
A nova colecção Carlton Jewellery
A nova colecção Carlton Jewellery
A nova colecção Carlton Jewellery
A nova colecção Carlton Jewellery
A nova colecção Carlton Jewellery
A nova colecção Carlton Jewellery
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