Chronos do Tempo

O mundo dos relógios e jóias
Yuichi Masuda (Casio) - "Os relógios inteligentes irão liderar"
09/Out/2017
Yuichi Masuda (Casio) - "Os relógios inteligentes irão liderar"

Com  o Salão de Basileia como pano de fundo, onde a Casio apresentou as novidades para 2017, Yuichi Masuda (Corporate Officer da Casio Computer Co. Ltd e director da Casio America, e Senior General Manager da “Timepiece Product Division”) era um homem orgulhoso. Não escondia a satisfação com o que a empresa responsável pela concepção e produção de todos os produtos relojoeiros do universo de marcas da Casio, tinha produzido. O momento que a indústria relojoeira atravessa, foi um bom motivo para uma conversa com este responsável da marca.


CHRONOS do tempo - Não estamos a falar sobre a Casio, mas sobre a indústria relojoeira. Você é uma pessoa muito importante no meio e a sua opinião é muito importante para mim! O que pensa sobre a indústria?


Yuichi Masuda - Actualmente, este mercado está a desacelerar e nós temos de entrar no mercado devagar, tentando relançá-lo. Isto é o que pensamos e é também a nossa forma de estar no mercado actual. Antes de 1970, a maior parte dos relógios provinha da indústria suíça e eram sobretudo mecânicos.  A partir dessa altura, além dos relógios de corda, surgiram os digitais que trouxeram novas funções. Eram multifunções e agora temos o mercado analógico e o digital. Está caracterizado assim!


Portanto, estavámos focados nas multifuncionalidades dos relógios no passado, mas em 2004 apostámos nos analógicos, ao que chamámos a inteligência analógica. Naquele tempo também não tínhamos as comunicações tecnológicas, nem qualquer tecnologia de permitisse o "touch panel", por exemplo, e, portanto pensámos que seria muito difícil expandir o negócio, pondo apenas muitas funcionalidades nos relógios digitais. Além disso, se o tivéssemos feito, teríamos de usar botões, o que tornaria o manuseamento mais complicado. Foi por isso que decidimos mudar os relógios analógicos. Aparentemente, mudámos os relógios analógicos, mas actualmente usamos o expertise dos anos 80 e 90, onde desenvolvemos as multifunções digitais, apresentando um modelo com movimento de mãos.


Assim, em 2017, depois de mudarmos os relógios analógicos, muitas mudanças ocorreram nos dispositivos móveis e os componentes digitais tornaram-se mais pequenos e mais económicos em termos de energia. É a chamada "downsize tecnology!". Portanto, acredito no conceito multifuncional do passado da Casio que está agora bem presente nos smartwatches digitais.


Hoje, já dispositivos para fitness, para jogging, etc., mas se olharmos com atenção, o conceito multifunções desses relógios não é muito diferente dos "easywatches". A grande diferença entre o passado e o presente é a tecnologia: o conceito já lá estava, mas a tecnologia não acompanhava o conceito. Portanto, hoje temos essencialmente duas grandes categorias: a primeira de "top" e a segunda de smarwatches. A primeira categoria surge da indústria de "timepieces" (as máquinas do tempo) e a outra da “non timepiece”.


Este é o cenário actual do mercado, que está muito bem representado no que respeita aos relógios analógicos, mas também nas outras categorias como mecânicos, inteligentes, de corda ou não. E a Casio tem como intenção estratégica de se posicionar no mercado como um relógio inteligente. Até porque hoje há outra questão que surge com os Apple e os Garmin: as baterias dos dispositivos não são passíveis de ser substituídas, ou seja, bateria nova, relógio novo. É a mensagem que passa para os consumidores. O design é também outro aspecto a ter em conta, e com o qual os fabricantes têm grande preocupação.


Cdt -  E quanto ao design? Como vai ser o futuro?


Yuichi Masuda - O design tem um papel muito importante, aliás os fabricantes têm grande preocupação a esse nível. Um milhão de peças são manuseadas no mercado americano. Se olharmos para as transacções de 2016, nós podemos concluir e assumir que o negócio está a desacelerar e não sabemos se vai parar, ou quando vai parar, mas actualmente o mercado baixou. Para se ter uma ideia, um milhão de peças para equipamentos são vendidas no mercado americano. Acredito que vai haver uma redução de 30 por cento, pelo que precisará de ser relançado.


É por isso que temos a estratégia de apostar na inteligência analógica e ocupar uma posição forte onde existe um buraco no mercado e acreditamos que é um negocio sustentável e já há concorrentes nesta área. Ao mesmo tempo, há que trabalhar continuamente na tecnologia.


Por outro lado, há que não esquecer os relógios são dispositivos de medição de tempo e a sua principal função é mostrar as horas sempre, a todos os segundos, e em qualquer lugar sem os utilizadores interferirem. E essa será também sempre uma preocupação.


Outro desafio - claro - é o design! Quem usa um Garmin por exemplo são corredores. Não é um relógio que dê para todas as ocasiões, para todos os dias. Os Garmin são para serem úteis, já os Apple são um acessório de moda. Em suma, temos todos de estar conscientes ao oferecer tecnologia, nunca perdendo a função original de um relógio que é dar horas e ter especial atenção ao design. O maior estrago (ou queda) será mesmo nos relógios de corda… A Casio quer posicionar-se no mercado dos relógios de pulso, e ao mesmo tempo explorar as potencialidades dos equipamentos de luxo.


Saiba mais na edição da CHRONOS do tempo nº 39 (já nas bancas


Yuichi Masuda (Casio) - "Os relógios inteligentes irão liderar"
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