Chronos do Tempo

O mundo dos relógios e jóias
O presente do Baselworld com o futuro em definição
12/Jul/2017
O presente do Baselworld com o futuro em definição

Na Suíça, o céu nublado e o clima frio não são uma novidade para quem se desloca a este país nos três primeiros meses de qualquer ano. É assim, estamos no centro da Europa e as condições climatéricas são mais rigorosas. Porém, quando este "ambiente" se sente dentro de uma feira relojoeira, as reacções são outras e dão que pensar. Na última edição do Baselworld viveu-se faltou calor e brilho; sinais de um "tempo difícil" e a exigir mudanças de comportamento...


Se no SIHH (Salon International de La Haute Horlogerie) de Genebra que decorreu no gelado mês de Janeiro se sentiu um ambiente fresco, em Basileia, dois meses depois, o cenário repetiu-se, ou antes, ficou pior. A celebrar os 100 de existência como feira de referência no mundo da relojoaria, o Baselworld não conseguiu esconder que o estado de alerta "laranja" está latente.    


Se no piso de entrada do pavilhão 1, não se notavam grandes mudanças, nos pisos superiores e nos pavilhões adjacentes, era impossível esconder o elevado número de marcas ausentes neste evento, quando comparado com anos anteriores. Nos bastidores falava-se na falta de mais de 200 marcas expositoras (habitualmente comparecem mais de 1400), enquanto outros mais optimistas faziam um "desconto" de 50%, o seja, reconheciam que pouco mais 100 marcas teriam desistido de mostrar os seus produtos no Baselworld.


No pavilhão 2 (normalmente ocupado maioritariamente por fabricantes de jóias e marcas de relógios menos conhecidas) um dos pisos foi fechado. Ja a tenda onde habitualmente se reuniam os mestres relojoeiros e marcas de nicho) desapareceu, desapareceu para levar estes pequenos expositores para um novo espaço no Pavilhão 1, desta feita dedicado exclusivamente a estes renomados e prestigiados. Foi o "tapar de um buraco" bem conseguido -  deve dizer-se - mas que evidenciou ainda mais as tais ausências de outras marcas com vendas mais volumosas e nome mais reconhecido.


Quando se pensa no investimento que exige um stand de 40 metros quadrados no primeiro piso do Pavilhão 1 (que ronda os 600 mil euros), facilmente se percebe que o custo médio para estar presente neste espaço ronda o milhão de euros, valores que, nos tempos que correm, são difíceis de recuperar e justificar. Ao longo de uma semana as marcas (através das encomendas aí registadas) definem o seu ano produtivo e comercial e... o seu futuro. Custos desta grandeza (há marcas que gastam mais de 3 milhões de euros), não fáceis de rentabilizar, o que explica a debandada de tanto expositor e que não augura nada de bom para o futuro deste evento.


Se em 1917 o Baselworld começou com apenas 29 marcas, 100 depois, o futuro deste certame está em discussão e o seu formato está a ser questionado. Segundo a organização, esta edição centenária levou a que - segundo a organização - mais de 106 mil compradores profissionais se deslocassem até Basileia (- 4% que em 2016), provenientes de mais de 100 países. Curiosamente, no comunicado final do evento, não há uma referência ao número de expositores e, alguns dias depois de ter fechado as suas portas, os seus responsáveis fizeram saber que em 2018, a feira terá menos dois dias de portas abertas.


Se esta medida é sensata, está longe de resolver o problema, ainda mais sabendo-se que alguns marcas já anunciaram que não vão comparecer em 2018 e os grandes grupos (Grupo Swatch, Grupo LVMH e Grupo Richmont) querem reduzir consideravelmente os custos de participação neste evento.


Sylvie Ritter, a responsável do Baselworld já admitiu que vai rever a tabela para os espaços da sua feira, consciente que é melhor agir do que reagir à desistência em massa dos seus "clientes expositores".


Hermés e Dior, já anunciaram que vão faltar à edição de 2018, decisão que pode inspirar outros a seguir-lhes a "opção" que, isoladamente, poderia ser entendida como uma fraqueza. Agora, há o argumento de que "se até as poderosas Hermés e Dior se vão, que motivos tenho eu para ficar?", ouvia-se aqui e ali, particularmente nos "stands" sem compradores.


 O Mundo mudou e o modelo de negócio deste sector está por rever. Da produção inicial até ao ponto do venda (ourivesarias e joalharias), tudo deve ser revisto, incluindo-se o marketing e comunicação, onde a participação em eventos desta natureza se incluem.


Patek Philippe e Rolex (dois gigantes do meio relojoeiro helvético) , renovaram os votos de manterem os seus espaços e apostas no Baselworld de 2018, mas há muitos outros a avaliarem a relação custo/benefício de uma operação desta natureza. Muitos estão expectantes para as decisões de Sylvie Ritter e o reposicionamento que terá de dar a este evento. Criar espaços de descanso e bares no lugar que outrora era ocupado por marcas relojoeiras, seguramente que não será a via a seguir.


Como se este ambiente não bastasse, as novidades expostas condiziam com o ambiente e faltava-lhes o "sal e a pimenta" que levam à compra - cada vez em extinção - por impulso. Se a Patek Philippe vive num "mundo" à parte e pode apresentar relógios de 500 mil euros e ter como meta manter os níveis recordes de produção como até aqui, ou a Rolex que se dá ao luxo de apresentar novas versões do bem sucedido Daytona a par com o Oyster Perpetual Sea-Dweller que celebra os 50 anos de existência deste modelo, muitos outros não iam além de apresentações de novas versões (económicas) de "horas, minutos e segundos" em caixa de aço, enquanto discretamente reconheciam que baixaram os preços em 30%.


Muito provavelmente a "redução discreta", de preços é o caminho a seguir uma vez que cada vez mais o consumidor questiona o valor pedido pelas "máquinas do tempo". A concorrência das "viagens", gadgets electrónicos, automóveis e novas aventuras, estão a relegar o reloógio para segundo plano, a par com a fraca inovação que o sector revela, a par com um (fatal?) esquecimento de conquista de novas gerações de consumidores.


Bvlgari (e o seu Octo), Zenith (e os movimentos com "design"), a constante irreverência da Hublot, ou o atrevimento da TAG Heuer em reforçar o investimento nos smartwatches, são alguns exemplos de marcas que tentam remar contra num sector tomado por gestores ultrapassados no tempo e virados para os seus umbigos. Se Grupo LVHM está a tentar contra ventos e marés, no Grupo Swatch vive-se um ambiente de letargia e inacção preventiva de potenciais tempestades; mais do mesmo é a receita seguida, esquecendo a inovação e a criatividade e há conglomerado de empresas que devia fazê-lo, é o Grupo Swatch.


"Novos clientes precisam-se" deve ser um grito e um desígnio neste meio habituado a viver em tempos de vacas gordas e que lentamente está a despertar para um mundo novo em que as "vacas" estão a emagrecer e, muitas delas, em riscos de vida.


O ar sombrio de alguns rostos de muitos expositores traduziam bem o resultado e as fracas encomendas registadas, com muitos deles a não conseguirem esconder a apreensão quanto ao futuro do sector, fazendo até algumas comparações com o "mundo das canetas" que se conformou com a quase inexistência (excepto para a Montblanc onde reina sem rival). Será que o relógio se está a transformar num produto "nicho "? Onde vai parar a exclusividade, o brilho, o glamour associado a este sector que viveu na opulência e não soube captar novos consumidores finais e um novo modelo de negócio?


A edição 100 do Baselworld pode e deve ser um motivo de reflexão, de um sector que vive um presente estranho e um futuro que ninguém consegue antever. São precisos, novos produtos, novos preços, novos protagonistas e novos consumidores; traduzindo, um novo futuro.       


 


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