Chronos do Tempo

O mundo dos relógios e jóias
Os desconhecidos e estranhos "factos" sobre relógios usados (part III e fim)
29/Abr/2014

Os desconhecidos e estranhos "factos" sobre relógios usados e não só. A minha estratégia/opção a coleccionar e a comprar relógios passa por alguma regras que sigo religiosamente, a saber: A GRANDE questão não é quanto ganhei, mas como é que comprei a preço baixo e vendi muito acima? Respostas:

 

(A) Descobri o valor das coisas sendo um fotógrafo ávido desde os 6 anos de idade.

OK. Eu sei que isto não é uma coisa que se possa fazer.

 

(B) Descobri a diferença entre comprar marcas e comprar novidades verdadeiramente originais. Não me quero gabar, mas para dizer-vos a verdade, comprei “Panerais” antes de 1990. E como eram baratos e desconhecidos, comprei-os todos abaixo dos $2,800 USD. Comprei quase 80% do que o Vianney Hater fez antes de 2002, os preços do Antiqua eram muitos mais baixos do que os $300,000 USD que valem hoje.

Comprei os Richard Mille, todos os RM 02, 03 e 04 antes de 2004. Comprei o Opus V, e quase todas as peças que consegui encontrar, antes de 2007. Comprei MB&F, tantos quanto pude, entre 2008 e 2009. Todas estas marcas eram desconhecidas…por isso comprei barato.

Par ser franco, como médico, conheci as impressoras 3D muito cedo…por isso nunca tive medo da falta de peças.

 

(C) Descobri como se fazem lentes. Como o vidro é arrefecido. Como é envelhecido. Como depois é polido e transformado numa cara lente Leica, Carl Zeiss, Canon L, Nikkor, etc. Eu vivi toda a idade do filme, e fiz todas as impressões e transparências. Fui também um dos primeiros a usar a fotografia digital, e insisti e pratiquei o mais que pude, para aprender.

Aprendi porque é que algumas fotos podem valer muito dinheiro.

 

 (D) Eu pinto. ÓIeos, acrílicos, sobre tela ou madeira. Com isto aprendi sobre Chagall, Miró e outros. Chagall e alguns similares a ele, foi um pioneiro do modernismo, avant-garde, ele criou o seu próprio estilo, as suas próprias misturas, quando era vivo não era totalmente compreendido. Ele percebia mesmo do uso da cor na arte moderna.

 

(E) Sou um apaixonado e um coleccionador do Porsche 911, desde 196. Como os carros são MUITO caros em Singapura, não posso cometer erros. Descobri como uma coisa inanimada, desactualizada com o passar dos anos, pode ser valiosa, e como esse valor pode sofrer alterações. Os 911 desafiam a lógica da engenharia. Também desafiam a lógica dos carros desportivos por terem só 2 lugares. Por favor compreendam que no meu país, um 911 custa $500,000 USD e só podemos tê-lo durante 10 anos!

Mesmo assim. Vocês compreendem porque é que o 911 mantem o seu valor, e porque é que o mesmo acontece com os relógios.

 

 (F) Eu compro e colecciono vestidos de alta costura, que compro em feiras por toda a Ásia.

Os preços aqui são os mesmos ou um pouco mais baixos que os dos relógios. Queria compreender a moda, e como influencia o preço de uma marca e vice-versa.

 

(E) Colecciono cadeiras clássicas. Comecei em 1983. Isto é importante para quem quer construir uma colecção de nível mundial. As cadeiras podem custar milhões de dólares, quando atingem os níveis dos relógios de colecção. Entre 1 e 28 milhões de dólares são as bases de licitação.

 

E mais, tentei compreender como as empresas de relógios escolhem os seus CEO’s.

Isto é pura e simplesmente o resumo de (A) a (E).

Vejo que os CEO’s das marcas de relógios são:

(1) Gurus de economia ou marketing que não têm paixão nenhuma por relógios.

(2) Filhos dos donos da marca, que percebem menos dela que os seus clientes.

(3) Ego-maníacos imaturos com uma experiência com menos de 20 anos, que nada sabem da idade dourada da relojoaria.

(4) Amarrados à cultura em que vivem (Japão).

(5) Verdadeiros crentes do verdadeiro valor de um relógio, e não dos contornos reluzentes, ou do "fine tuning" de um movimento mais preciso. Quero dizer, nada bate a fiabilidade de um movimento de quartzo. Nenhum. Zero. Os verdadeiros crentes fazem esculturas dos seus relógios, representando a busca do homem da ligação entre a arte e a matemática.

 

Só os (5) são mais baratos.

Não pertencem a marcas que fazem algumas centenas de relógios, mas as que produzem duplos ou triplos dígitos por ano. Eles não respondem perante um conselho de administração que nem sequer coleccionam relógios.

 

Estes são os meus pensamentos.

Partilho-os enquanto amigo, e comprador de relógios novos e usados.

Não sou “amigo” de marcas ou relojoeiros, apenas os conheço.

Conheço a China BASTANTE bem, e como as coisas funcionam.

Compro relógios baratos como Seiko, Citizen e Casio.

Mas também compro e tenho relógios Harry Winston Opus, Richard Mille, Patek Philippe, “Langes”, MB&F e “Vianneys”. Não escondo nada por modéstia, eu não acredito na modéstia.

Acredito que se deve dizer o que se pensa, com honestidade, quer se seja rico ou pobre.

 

Melhor, tive a rara oportunidade de ser muito pobre durante 28 anos. E isto é a perspectiva de um homem de 55 anos. Portanto sonhe com o relógio usado que comprou no ano passado!!! Quem seria o seu dono?

 

Para seguir as polémicas opiniões de Bernard Cheong, consulte:

http://bernardcheong.com/

http://bernardatdermawan.blogspot.pt/

Bernard Cheong é um colecionador de renome mundial relógio e e amante da alta relojoaria; médico e CEO, e sócio da Lifeline Medical Group, em Singapura.
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