O debate sobre o que é ou não «piroso»: das grandes marcas ao caso Pandora
Recentemente, uma discussão acesa num fórum online reacendeu o eterno debate sobre o prestígio das marcas de moda e o momento exato em que estas passam de desejáveis a “foleiras”. Com quase 500 respostas numa publicação do Mumsnet intitulada “Marcas que consideram pirosas”, o que começou como uma conversa casual entre mães transformou-se numa análise impiedosa sobre o vestuário contemporâneo. A autora do tópico relatou uma conversa num grupo social onde várias marcas, tanto de high street como de gamas mais elevadas, foram rotuladas como descartáveis ou de mau gosto, citando nomes como Superdry e Tommy Hilfiger. A própria autora confessou sentir-se subitamente paranoica em relação ao seu guarda-roupa, admitindo que “vive” vestida de Adanola pelo conforto e corte, nunca tendo considerado a marca como algo negativo até ouvir as críticas alheias.
Desde que a publicação ficou online, centenas de utilizadores têm partilhado opiniões sobre que etiquetas favoritas caíram em desgraça. Os critérios variam, mas há um consenso crescente de que artigos com slogans visíveis ou aqueles que acabam frequentemente nas prateleiras da TK Maxx são os principais alvos. A Clemmie Fieldsend compilou as menções mais frequentes, revelando um panorama curioso sobre a percepção de luxo e estilo.
A questão da logomania e o fenómeno White Fox
Entre as marcas visadas está a australiana White Fox. Desde a sua criação em 2013, a marca atingiu um estatuto de culto, impulsionada pela popularidade entre a Geração Z e, praticamente, por todas as concorrentes que passaram pelo programa Love Island. Embora as suas peças de athleisure com slogans sejam campeãs de vendas, juntamente com vestidos e jeans, nem todos estão convencidos.
Vários utilizadores apontaram o dedo às camisolas e capuzes com logótipos gigantes como parte do problema. As críticas são aguçadas, com comentários a descrever o design como tendo “um logótipo tão mau que parece algo saído de uma feira dos anos 90”. A onipresença da marca, com o seu nome estampado de forma ostensiva, provoca, segundo alguns testemunhos, uma sensação imediata de vergonha alheia.
Pandora: entre o presente ideal e a crítica feroz
Talvez o caso mais divisivo seja o da Pandora. As suas pulseiras de contas personalizáveis tornaram-se um clássico no Reino Unido para ofertas de aniversário, Natal, aniversários de casamento e Dia dos Namorados. A marca investe fortemente no seu posicionamento, recrutando ícones como Winona Ryder e Pamela Anderson para as suas campanhas. Contudo, isso não a imunizou contra a rotulagem negativa no fórum.
Apesar da sua popularidade massiva, há quem considere a estética questionável. Um comentário particularmente duro referia: “Quando vejo aquelas bugigangas de 40 libras expostas nas suas montras cor-de-rosa, a enganar as pessoas fazendo-as pensar que estão a entrar numa joalharia de alta gama – que horror”. No entanto, a marca continua a inovar e a propor peças que desafiam estas noções, focando-se na personalização e na qualidade dos materiais, como se observa nas suas linhas mais recentes.
A resposta através do design: A coleção ME
Alheia às críticas de fórum, a marca continua a apostar em peças que permitem a expressão individual, como é o caso do Anel Pandora ME. Comercializado a 39,00 €, este anel não é apenas uma peça estática, mas um convite à reinvenção diária. Revestido a ouro de 14k, o design apresenta linhas ranhuradas que conferem uma dimensão e profundidade instantâneas à superfície, posicionando-se como um artigo de joalharia pensado para “conjugar com o estado de espírito”.
A proposta da coleção ME foca-se na interatividade. A marca sugere que se baralhem as combinações, misturando metais e cores para intensificar o brilho do conjunto. A ideia é personalizar ao máximo, ligando este anel de afirmação a outros favoritos através do Conector de Styling específico da linha, permitindo ainda a adição de até três mini pendentes que exprimam a essência de quem os usa. É uma abordagem que tenta afastar a marca da imagem de “bugiganga” estática, promovendo uma experiência de luxo acessível e criativo.
Para quem adere a esta estética, a funcionalidade é chave. A marca fornece instruções precisas para garantir que a experiência de uso é fluida: para reinventar o look, o segredo está no manuseamento do Conector de Styling. O processo envolve certificar-se de que a parte de abrir do conector fica virada para cima, deslizando apenas um dos anéis para o lado oposto. Só então se devem retirar os mini pendentes pela abertura, um de cada vez, antes de remover o outro anel. Esta mecânica simples permite mudar tudo novamente, oferecendo uma versatilidade que, independentemente das opiniões sobre o que é ou não tacky, mantém a marca relevante no mercado de joias femininas.